QUINTA-FEIRA SANTA– ANO C

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Missa Vespertina da Ceia do Senhor

Segundo uma antiquíssima tradição da Igreja, são proibidas neste dia todas as Missas sem participação do povo.

De tarde, à hora mais conveniente, celebra-se a Missa da Ceia do Senhor, com plena participação de toda a comunidade local; nela, todos os sacerdotes e ministros exercem o seu ofício próprio.

A sagrada comunhão só pode ser distribuída aos fiéis dentro da Missa. Aos doentes, porém, pode levar-se a comunhão a qualquer hora do dia.

O sacrário deve estar completamente vazio. Para a comunhão do clero e dos fiéis, consagre-se nesta Missa pão suficiente para hoje e amanhã.

ROTEIRO DA CELEBRAÇÃO

RITOS INICIAIS

Introdução ao espírito da Celebração

Com esta celebração damos início às Festas Pascais. Ao chegar a hora de partir para o Pai, Cristo despede-se e entrega à Sua Igreja a Nova Páscoa, instituída em Ceia de Amor, sacramento da Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

01. MONIÇÃO INICIAL

 

02. CANTO DE ABERTURA

 

03. SAUDAÇÃO

 

04. ATO PENITENCIAL

 

05. HINO DE LOUVOR

Chamados a receber e a viver tão precioso testamento, alegremo-nos, cantando a glória de Deus.

Diz-se o Glória. Enquanto se canta este hino, tocam-se os sinos, que não voltarão a tocar-se até à Vigília Pascal, a não ser que a Conferência Episcopal ou o Ordinário do lugar julguem oportuno estabelecer outra coisa.

06. ORAÇÃO DO DIA

 

 LITURGIA DA PALAVRA

 

01. PRIMEIRA LEITURA (Êxodo 12, 1-8.11-14)

 

Temos aqui, num texto de tipo catequético-litúrgico, a promulgação da lei da Páscoa judaica como «instituição perpétua» a ser festejada por todas as gerações (v. 14). Na origem desta festa da «Páscoa» - dum étimo semítico: salto festivo - parece estar uma antiga festa de pastores nómadas, própria da Primavera, a época em que nascem os cordeiros; então sacrificavam um cordeiro recém-nascido e com o seu sangue faziam ritos a implorar protecção e a fecundidade. Também pela época da Primavera parece que havia outra festa, a dos «Ázimos», com o sentido de novidade e rotura com o passado (o fermento). As duas festas vieram a fundir-se numa só. A Toráh terá assumido estas duas festas, dando-lhes o novo e profundo significado que neste texto legal fica bem assinalado, para celebrar a libertação do Egipto.

A ceia pascal é celebrada na noite de 14 para 15 do mês de Nisan (Março/Abril), a noite da lua cheia que se seguia ao equinócio da primavera, pois o 1° dia do mês era o 1º dia da lua nova; então se comiam os pães ázimos, isto é, sem fermento (do grego a-zymê, em hebraico, os matsôth) durante os sete dias da festa, de 15 a 21 de Nisan. O cordeiro imolado recordava aquele outro cordeiro com cujo sangue os israelitas marcaram as suas portas para que o «o flagelo exterminador» ali não atingisse ninguém. A própria palavra «Páscoa», com uma etimologia muito discutida, pode provir do étimo psh, que significa saltar, passar por cima de, prestando-se a significar o flagelo mortal que passou ao largo das casas dos israelitas (cf. Ex 12, 27) na região de Guéssen ou Góxen; neste texto a palavra Páscoa é entendida como a passagem do Senhor, a fim de libertar o seu povo. O pão sem fermento lembrava a pressa com que os israelitas saíram do Egipto, tendo de levar consigo a massa do pão antes de ter fermentado (Ex 12, 34.39).

No entanto, a celebração da Páscoa não era para os israelitas uma mera recordação agradecida da libertação duma escravidão passada, mas era algo que os orientava para uma libertação futura completa e definitiva, que se haveria de dar com a vinda do Messias. Havia mesmo uma crença judaica em que o Messias viria numa noite de Páscoa: «nesta noite foram libertados, e nela também serão libertos». Esta alegre esperança manifestava-se no costume, que ainda hoje se mantém, de deixar um lugar vazio à mesa, para alguém que chegue na última hora, que afortunadamente poderia ser o profeta Elias, precursor do Messias. De facto, um dia o próprio Messias havia de se pôr à mesa da ceia pascal, rodeado dos seus discípulos, para então inaugurar a era da autêntica e definitiva libertação. Jesus é o verdadeiro cordeiro pascal (1 Cor 5, 7; Jo 19, 36) que se oferece em sacrifício, com cujo sangue somos redimidos e com cuja carne somos alimentados no banquete eucarístico, prelúdio do banquete celeste (cf. Mc 14, 25). Os samaritanos ainda hoje celebram a Páscoa como se descreve neste texto do Êxodo, sem refeição solene, sem vinho e à pressa. Os judeus celebram-na como refeição solene; já era assim no tempo de Jesus, em razão de já terem saído da escravidão para a liberdade; mas, em vez de comerem sentados como habitualmente, comiam recostados sobre esteiras ou divãs, apoiando-se sobre o braço esquerdo, a partir da época helenística (cf. Lc 22, 14).

 

 

02. SALMO RESPONSORIAL (Sl 115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1 Cor 10, 16))

 

 

03. SEGUNDA LEITURA (1 Coríntios 11, 23-26)

Temos aqui o relato da última Ceia, o mais antigo dos quatro que aparecem no N. T., escrito apenas uns 25 anos após o acontecimento. São Paulo diz que isto mesmo já o tinha pregado aos cristãos (v. 23) uns quatro anos atrás, durante os 18 meses em que evangelizou a cidade de Corinto, por ocasião da sua segunda viagem.

23 «Recebi do Senhor»: O original grego (com o uso da preposição apó e não pará) deixa ver que S. Paulo recebeu esta doutrina pela tradição que remonta ao Senhor e não directamente dele, por meio de alguma revelação, como alguém poderia pensar. «Na noite em que ia ser entregue»: celebramos hoje uma dupla entrega do Senhor, a sua entrega às mãos dos seus inimigos, para a morrer pelos nossos pecados e nos ganhar a vida divina, e a entrega no Sacramento da SS. Eucaristia, como alimento desta mesma vida divina. Para o seu amor infinito, é pouco dar-se todo uma só vez por todos; quer dar-se todo a cada um de nós todas as vezes que nos disponhamos a recebê-lo!

24 «Isto é o Meu Corpo»: A expressão de Jesus é categórica e terminante, sem deixar lugar a mal entendidos. Não diz «aqui está o meu corpo», nem «isto simboliza o meu corpo», mas sim: «isto é o meu corpo», como se dissesse «este pão já não é pão, mas é o meu corpo», equivalendo a «isto sou Eu mesmo». Todas as tentativas heréticas de entender estas palavras num sentido meramente simbólico, fazem violência ao texto e não têm seriedade. É certo que o verbo «ser» também pode ter o sentido de «ser como», «significar», mas isto é só quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como é que o pode significar. Atenda-se a que Jesus, com a palavra isto não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; portanto não tem sentido dizer que, com a fracção do pão, o Senhor queria representar o despedaçar do seu corpo por uma morte violenta (o corpo entregue); Jesus não podia querer dizer tal coisa, pois, se o quisesse dizer, havia de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era um gesto usual do chefe da mesa em todas as refeições, não sendo possível ver um outro sentido; por outro lado, o beber do cálice também não se podia prestar a um tal sentido.

Os Apóstolos vieram a entender as palavras de Jesus no seu verdadeiro realismo, como aparecem no discurso do Pão da Vida (Jo 6, 51-58). Se Jesus não quisesse dar este sentido realista às suas palavras, também os seus discípulos e a primitiva Igreja não lho podiam dar, porque beber o sangue era algo sumamente escandaloso para gente criada no judaísmo, que ia ao ponto de proibir a comida do sangue e até mesmo de animais não sangrados. Se S. Paulo não entendesse estas palavras de Jesus num sentido realista, não teria podido afirmar no v. 27 (omitido na leitura de hoje): «quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor»; e no v. 29 fala de «distinguir o corpo do Senhor».

Paulo VI, na encíclica Misterium fidei, rejeitou as explicações teológicas (transignificação e transfinalização) que não respeitem suficientemente o realismo da presença real: «Mas para que, ninguém entenda erroneamente este modo de presença, que supera as leis da natureza e constitui o maior dos milagres no seu género, é preciso seguir com docilidade a voz da Igreja docente e orante. Pois bem, esta voz, que é um eco perene da voz de Cristo, assegura-nos que Cristo se torna presente neste Sacramento pela conversão de toda a substância do pão no seu corpo e de toda a substância no vinho no seu sangue; conversão admirável e singular à qual a Igreja justamente e com propriedade chama transubstanciação» (atenda-se a que aqui a noção de substância não é a da Física ou da Química, mas a da Metafísica).

24-25 «Fazei isto em memória de Mim»: Com estas palavras, Jesus Cristo entrega aos Apóstolos (e aos seus sucessores) o poder ministerial de celebrar o Mistério Eucarístico; por isso, Quinta-Feira Santa é o dia do sacerdócio e dos sacerdotes.

25 «A Nova Aliança com o meu Sangue»: Jesus compara o seu sangue, que vai derramar na cruz, ao sangue do sacrifício da Aliança do Sinai (cf. Ex 24, 8), como sendo o novo sacrifício com que se ratifica a Nova Aliança de Deus com a Humanidade, aliança anunciada pelos profetas (Jer 31, 31-33). Na Ceia temos o mesmo sacrifício do Calvário antecipado sacramentalmente através das palavras do próprio Jesus. Na Missa temos igualmente o mesmo sacrifício da Cruz renovado e representado sacramentalmente através da dupla consagração feita pelo sacerdote que actua na pessoa e em nome de Cristo, sendo Ele o mesmo oferente principal, a mesma vítima e sendo os merecimentos os mesmos do único Sacrifício redentor a serem aplicados, Sacrifício oferecido de uma vez para sempre (efápax: cf. Hebr 9, 25-28; 10, 10.18).

26 «Anunciareis a Morte do Senhor»: No altar já não se derrama o sangue de Cristo, como na Cruz, mas oferece-se, de modo incruento, o mesmo sacrifício; «a Missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor» (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, nº 12).

 04. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

 

05. EVANGELHO (São João 13, 1-15)

1. «Antes da festa da Páscoa»: A ceia de que aqui se fala (v. 2) não é descrita como sendo a Ceia Pascal dos Sinópticos (Mt 26, 17-35; Mc 14, 12-31; Lc 22, 7-39), mas não pode ser outra, por se tratar da mesma da noite em que Jesus foi preso. Se S. João se limita a dizer «antes da festa da Páscoa», sem precisar que era a véspera (a Preparação), é porque ele quer que se entenda a morte de Jesus como a imolação do cordeiro pascal, ao colocá-la no mesmo dia (a Preparação: 19, 31.42) em que no templo eram imolados os cordeiros para a festa; sendo assim, evita intencionalmente o dar à Última Ceia qualquer carácter pascal; e pensamos que esta pode ser uma séria razão para não falar da instituição da Eucaristia, referida no discurso do Pão da Vida (cf. Jo 6, 51-58).

«Amou-os até ao fim», isto é, até à consumação (19, 30), indicando o seu amor de total entrega, até à morte (cf. 15, 13; 1 Jo 3, 16; Gal 2, 20), embora com esta não termine o seu amor, pois «não só até aqui nos amou quem nos ama sempre e sem fim» (Santo Agostinho); também ver-se aqui uma alusão ao amor revelado na instituição da Eucaristia que S. João não conta, naturalmente por já lhe ter dedicado todo o capítulo VI e, como já se disse, para evitar dar a esta ceia um carácter pascal. Outra tradução possível: «levou o seu amor por eles até ao extremo». Jesus não só amou os seus até ao último momento da sua vida terrena, mas não podia amá-los mais: amou-nos até à loucura e da Cruz e da Eucaristia.

3 «Jesus, sabendo...» Lavar os pés era um ofício exclusivo de escravos (1 Sam 25, 41) e os rabinos chegavam a explicitar que só se devia impor esse humilhante serviço a escravos que não fossem da raça hebraica, baseando-se em Lv 25, 39. Jesus, ao sujeitar-se a esse gesto aviltante, não renuncia à sua dignidade de Filho de Deus; a oposição decidida de Pedro mostra o profundo choque causado pela atitude do Senhor. Não se pode estabelecer o momento exacto do lava-pés, pois não estavam previstas lavagens dos pés na Ceia, mas apenas o lavar das mãos; o que Jesus realiza é antes de mais uma acção simbólica, à maneira dos profetas. Talvez a discussão travada na Ceia sobre quem seria o maior dos Apóstolos (cf. Lc 22, 24) tenha levado Jesus a dar-lhes uma lição com o seu gesto: é maior aquele que mais serve. Aparecem assim dois significados no gesto de Jesus: um simbólico e outro de exemplo a imitar. Nos vv. 6-11, aparece mais o valor simbólico: Jesus é quem purifica os seus dos seus pecados e sem isso não se pode ter parte com Ele (v. 8), purificação que é um efeito da sua Morte redentora. Nos vv. 14-15, Jesus propõe o seu exemplo para ser imitado: «Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros», isto é, prestar aos outros todos os serviços, mesmo os mais humildes e humilhantes. Ter autoridade na Igreja (e também na sociedade civil) não é ter à disposição os outros para ser servido, mas é estar à disposição de todos para os servir eficazmente. A vida cristã consiste em imitar o exemplo de Jesus Cristo: 1 Pe 2, 21; 1 Jo 2, 6; Fil 2, 5; 1 Cor 11, 1; Ef 5, 1; 1 Tes 1, 6...

 06. HOMILIA (Sugestões para a homilia)

 1. O povo de Deus na História, hoje, é a Igreja.

O mundo está cheio de muitas crises cujo fundamento e origem se situa nas infidelidades das pessoas. Procuram-se respostas para a crise de fé, de insegurança, de identidade de vida alicerçada em Deus. A Páscoa da Nova Aliança foi inaugurada por Cristo na última Ceia, é perpetuada na Eucaristia, pertence ao novo povo de Deus. É uma herança, um património, a assinalar o que se passou no Cenáculo, no Horto, nos tribunais de Jerusalém e no Calvário. Tudo aponta para a Ressurreição como atualização do desígnio salvador de Deus.

 2. As comunidades, embora aceitem com alegria a mensagem de Jesus Cristo, não deixam de sentir as perturbações, as discórdias que, como em Corinto, as levam a perder os rumos certos. A intervenção de S. Paulo baseia-se na Celebração da Eucaristia, memorial da Morte do Senhor e fonte de renovação permanente para os cristãos. Para nós a Eucaristia é solução para os cansaços, desânimos, discórdias, crises familiares, abandono espiritual e moral das crianças e dos jovens, isolamento dos mais velhos. Aí está a fonte que purifica e renova os corações, dá crescimento, dinamismo e eficácia às nossas comunidades. Aí se alimenta a esperança do Povo de Deus no meio de todas as crises. 

Na Última Ceia o Senhor fez dois gestos que ficaram pertença do património da vida da Igreja.

– ao lavar os pés aos discípulos comprometeu-nos a uma linha de serviço humilde aos irmãos.

– instituindo a Eucaristia – e o sacerdócio ministerial –, fez-nos participar do Seu Corpo e Sangue, deu-nos a Sua própria vida, e transformou-se em fonte de unidade de todos os que nele comungam.

O nosso culto é para prolongar na vida, na dedicação aos pobres, às crianças, aos mais velhos, aos marginais e desempregados, aos refugiados e tristes…

Jesus pediu unidade. Continuam as divisões, os conflitos de competências, as invejas mesquinhas, as murmurações destruidoras e as omissões egoístas.

O Tríduo Pascal, hoje iniciado, terminará na madrugada da Ressurreição se aceitarmos as exigências da Última Ceia.

 Na homilia comentam-se os grandes mistérios que neste dia se comemoram: a instituição da sagrada Eucaristia e do sacramento da Ordem e o mandato do Senhor sobre a caridade.

 

07. LAVA-PÉS

Fala São João Paulo II

«Nesta noite, Jesus dá-nos duas manifestações de um só mistério de amor.»

1. «Amou-os até ao fim» (Jo 13, 1)

Na vigília da sua Paixão e morte, o Senhor Jesus quis reunir à sua volta mais uma vez os seus Apóstolos para lhes confiar as últimas recomendações e dar-lhes o testemunho supremo do seu amor.

Entremos nós também na «grande sala do andar de cima, mobilada e já pronta» (Mc 14, 15) e disponhamo-nos a ouvir os pensamentos mais íntimos que Ele nos quer confiar; disponhamo-nos, sobretudo, a acolher o gesto e o dom que Ele predispôs para este encontro extremo.

2. Eis que, durante a ceia, Jesus se levanta da mesa e começa a lavar os pés aos discípulos.

Inicialmente, Pedro opõe-se, depois compreende e aceita. Também nós somos convidados a compreender: a primeira coisa que o discípulo deve fazer é pôr-se à escuta do seu Senhor, abrindo o coração para aceitar a iniciativa do seu amor. Só depois será convidado a fazer, por sua vez, o que o Mestre fez. Também ele se deverá comprometer em «lavar os pés» aos irmãos, traduzindo em gestos de serviço mútuo aquele amor que constitui a síntese de todo o Evangelho (cf. Jo 13, 1-20). Ainda durante a Ceia, sabendo que já chegara a sua «hora», Jesus abençoa e parte o pão, depois distribui-o aos Apóstolos dizendo: «Este é o Meu corpo»; e faz o mesmo com o cálice: «Este é o Meu sangue». Depois diz-lhes: «fazei isto em memória de Mim» (1 Cor 11, 24.25). Nisto, verdadeiramente, está o testemunho de um amor levado «até ao extremo» (Jo 13, 1). Jesus oferece-se em alimento aos discípulos para se tornar uma só coisa com eles. Mais uma vez é realçada a «lição» que é necessário aprender: a primeira coisa que deve ser feita é abrir o coração ao acolhimento do amor de Cristo. A iniciativa é sua: é o seu amor que nos torna capazes de amar, por nossa vez, os irmãos.

Eis, pois: o rito do lava-pés e o sacramento da Eucaristia: duas manifestações de um só mistério de amor confiado aos discípulos «para que diz Jesus como Eu vos fiz, façais vós também» (Jo 13, 15).

3. «Fazei isto em memória de Mim» (1 Cor 11, 24). A «memória», que o Senhor nos deixou naquela noite, coincide com o momento culminante da sua existência terrena, o momento da sua oferenda sacrificial ao Pai por amor da humanidade. É uma «memória» que se insere no contexto de uma ceia, a ceia pascal, na qual Jesus se oferece aos seus Apóstolos sob as espécies do pão e do vinho, como seu alimento no caminho para a pátria do Céu.

Mysterium fidei! Assim proclama o celebrante depois de ter pronunciado as palavras da consagração. E a assembleia litúrgica responde exprimindo com alegria a sua fé e a sua adesão repleta de esperança. Que mistério grandioso, a Eucaristia! Mistério «incompreensível» para a mente humana, mas tão luminoso aos olhos da fé! A Mesa do Senhor na simplicidade dos símbolos eucarísticos o pão e o vinho partilhados revela-se também como mesa da irmandade concreta. A mensagem que provém dela é demasiado clara, e portanto não é possível ignorá-la: todos os que participam na Celebração eucarística não podem permanecer insensíveis face às expectativas dos pobres e dos necessitados.

4. […]

«O sacrum convivium, in quo Christus sumitur».

Todos somos convidados, esta noite, a celebrar e a adorar pela noite fora o Senhor que se fez alimento para nós, peregrinos no tempo, oferecendo-nos o seu corpo e o seu sangue.

A Eucaristia é um grande dom para a Igreja e para o mundo […].

5. Adoro te devote, latens Deitas! Nós Vos adoramos, ó admirável Sacramento da presença d'Aquele que amou os seus «até ao fim». Nós Vos agradecemos, ó Senhor, que na Eucaristia edificais, reunis e vivificais a Igreja.

Ó divina Eucaristia, chama do amor de Cristo que ardes no altar do mundo, faz com que a Igreja, por Vós confortada, seja sempre solícita em enxugar as lágrimas de quem sofre e em amparar os esforços dos que aspiram pela justiça e pela paz. […]

João Paulo II, Vaticano, 17 de Abril de 2003

 

07. ORAÇÃO UNIVERSAL

 

 

LITURGIA EUCARÍSTICA

  1.  APRESENTAÇÃO DOS DONS

Ao iniciar-se a liturgia eucarística, pode organizar-se uma procissão dos fiéis com oferta para os pobres.

Entretanto, canta-se a antífona Ubi caritas ou outro cântico apropriado.

02. ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS 

03. ORAÇÃO EUCARÍSTICA III

04. RITO DE COMUNHÃO

Terminada a distribuição da comunhão, deixa-se sobre o altar a píxide com as partículas para a comunhão do dia seguinte. A Missa conclui com a oração depois da comunhão:

05. ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

06. TRANSLADAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Terminada a oração, o sacerdote, de pé, diante do altar, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa por três vezes o Santíssimo Sacramento. Em seguida, toma o véu de ombros, pega na píxide e cobre-a com as extremidades do véu.

Organiza-se a procissão, com círios e incenso, indo à frente o cruciferário com a cruz, e leva-se o Santíssimo Sacramento, através da igreja, para o lugar da reserva, preparado numa capela convenientemente ornamentada.

Chegada a procissão ao lugar da reserva, o sacerdote depõe a píxide. Seguidamente, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa o Santíssimo Sacramento.

 

Segue-se a desnudação do altar e, se possível, retiram-se as cruzes da igreja. Se algumas ficam na igreja, é conveniente cobri-las.

Os que tomaram parte na Missa vespertina não são obrigados à celebração das Vésperas.

Exortem-se os fiéis, tendo em conta as circunstâncias e as diversas situações locais, a dedicar algum tempo da noite à adoração do Santíssimo Sacramento. A partir da meia noite, porém, esta adoração faz-se sem solenidade.

 

RITOS FINAIS

MONIÇÃO FINAL

 A nossa partida silenciosa sirva para pensar no Amor de Deus e testemunharmos autêntico amor fraterno.

 

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