RESUMO LAUDIS CANTICUM

 

Para percebermos o meio no qual se insere a reforma do Ofício divino, tomemos atenção às reformas litúrgicas que se fizeram.Com os frutos conciliares concentrados na Sacrosanctum Concilium, era necessário concretizar a reforma em várias dimensões, em setores concretos da oração litúrgica. A reforma incidiu sobre alguns campos, dois dos quais se destacam: o Missal Romano, que apresenta a Instrução Geral ao Missal Romano, onde se expõe a teologia da Missa, a sua articulação com todos os seus elementos; o Lecionário do Missal, o qual comporta a renovação e ampliação dos textos para a Missa, em concordância com o Ano Litúrgico e seus Ciclos; a Liturgia das Horas, a Oração da Igreja nas diversas Horas canónicas e a sua relação com a Hora maior, a da Missa; o Ano litúrgico, com a sua organização pascal, a qual marca todos os seus tempos celebrativos; o Pontifical e o Ritual. Este último compreende os diversos rituais sobre os sacramentos. Temos, assim: Ritual do Batismo; Ritual de Iniciação Cristã dos Adultos; Ritual da Penitência; Rito da Sagrada Comunhão e do culto da Eucaristia fora da Missa; Ritual do Matrimónio; Ritual da Unção e da Pastoral dos enfermos; Ritual da Profissão Religiosa; Ritual das Exéquias e o Ritual das Bênçãos.

 

1.3 A Constituição Apostólica Laudis Canticum

 

O Papa Paulo VI apresentou a Constituição Apostólica Laudis Canticum,por meio da qual é promulgado o Ofício divino reformado no seguimento do Decreto do Concílio Vaticano II. Neste documento é feita uma leitura de continuidade na própria história da construção daquilo a que chamamos «Liturgia das Horas».

 

1.3.1 Orientações e critérios

São, neste documento, a presentadas as linhas orientadoras e concretizadoras da ordenação da Liturgia das Horas, desejando que se perceba a razão de ser de cada critério e determinação. A presente Constituição expõe nove critérios a colocar em prática.

1) A consideração de cada comunidade e da situação pastoral dos clérigos. Este ponto vai ao encontro da intenção de fornecer um instrumento de oração adequado ao uso diário. Tem-se em atenção que esta forma de oração – a Oração da Igreja – não contempla apenas os clérigos e religiosos, mas deseja - se uma oração de todo o Povo de Deus.

2) A revisão das Horas canónicas, a fim de corresponderem às horas do dia. Tem-se em vista que aqueles que as rezam, o façam no dia e na hora correspondente. Tornando mais adequado às diversas circunstâncias, é suprimida a hora de Prima e é dada a oportunidade de escolher o momento oportuno do dia para a Hora Intermédia e o Ofício das Leituras. Assim, o Ofício divino torna-se próximo de todos quantos santificam a vida nos seus diversos momentos.

3) Privilegia-se a concordância entre o espírito, a mente, a boca e as palavras. Com este intuito, procurou-se fazer a redução ponderada de textos, o que contribui para a concentração do coração e da mente, ou seja, de todo o ser. Não se verifica apenas uma redução, mas sim o aumento da variedade de textos e a introdução de alguns elementos, destacando-se o silêncio.

4) O Saltério é distribuído por quatro semanas, segundo a versão latina da Neo Vulgata. Os acrescentos e as omissões nos Salmos e Cânticos tiveram como critérios a compreensão destes, no contexto da revelação de Deus em Jesus Cristo e o aumento da riqueza espiritual.

5) O ciclo das leituras da Sagrada Escritura, na Liturgia das Horas, segue uma coordenação de modo que não ocorra repetição e se percorra, significativamente, toda a História da Salvação.

6) Tem-se em vista um crescendo de riqueza e variedade no que se refere às leituras da Patrística.

7) Elimina-se tudo aquilo que não corresponde à verdade histórica, isto de modo que as leituras hagiográficas realcem a «fisionomia espiritual» dos Santos e Beatos, as suas virtudes e a vivência das Bem-Aventuranças, no seio da Igreja.

8) Surgem as preces, nas Laudes, as quais consagram o dia que se inicia e, nas Vésperas, como súplicas de intercessão, ao terminar o dia. No final destas, encontramos a oração do Pai Nosso, completando o número de três vezes ao dia, contando com a Missa diária.

9) É chamada a atenção para que “A oração cristã é, antes de mais, oração de toda a família humana, associada a Cristo” É valorosa a voz da Igreja - Esposa que faz eco dos anseios dos fiéis a Jesus, O qual os eleva ao Pai. Assim, o eco das nossas vozes reconhece-se na voz de Cristo, e vice-versa.

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