Vever os sacramentos

13/10/2012 20:32

INTRODUÇÃO

Tornar-se cristão significa assumir ‘‘uma vida nova‘‘; uma mudança profunda e diária; optar em seguir o Mestre, Jesus Cristo; acolher a Boa Notícia!

 

Para os primeiros cristãos foi preciso uma mudança radical de vida ao assumir o seguimento de Cristo (cf. At 2, 42-47). A pessoa que aderia a Jesus mudava o seu jeito de ser. Assumia uma nova identidade, a ponto de dar a própria vida pela causa do Reino.

 

A formação da fé, dos primeiros séculos, passava pelo catecumenato, com tempos e etapas bem definidos, para o crescimento da mesma. Tinham sede e fome de Deus, aderiam ao cristianismo com entusiasmo, com toda a vontade de viver intensamente a proposta de Jesus Cristo.

 

Porém, com o tempo, tudo virou costume: batizar, casar, ir à missa... e, por muitos, foi sendo esquecido qual era o verdadeiro significado dessas opções, desses sinais recebidos, vividos, desejados e assumidos.

‘‘Somos muitos católicos batizados, mas poucos são evangelizados‘‘. Mas também temos muitos cristãos convictos de sua fé que vivem na prática a Palavra, a Celebração e a Missão.

 

Estamos num tempo de mudanças, mas também de graça e oportunidades. O que fazer, então?

 

É preciso olhar para a proposta de iniciação à vida cristã das primeiras comunidades e adaptá-la às necessidades presentes.

 

Iniciação é um processo pelo qual a pessoa vai experimentando o mistério da fé em Jesus Cristo. É a passagem para um modo novo de viver.

Este processo é gradativo e permanente. Toda a comunidade caminha junto, num entendimento de adesão a Jesus Cristo.

 

É preciso fazer a adesão e alimentar-se para que, a cada dia, possa “abraçar“, decididamente, a nova vida em Cristo Jesus. E como fazer isso? Os Sacramentos foram criados exatamente para essa vivência.

 

OS SACRAMENTOS

 

O que significam? Qual o motivo de serem criados?

 

A palavra sacramento significa sinal, sinal do amor de Deus para com a humanidade. Deus sempre amou a humanidade. Ele criou o homem á sua imagem e semelhança. Mas o homem foi teimoso e pecou. Como consequência desse pecado, o ser humano se afastou do seu Criador. Mas o Pai não abandonou aquele que foi criado à sua imagem e semelhança: pelo contrário, chamou-o de volta à amizade e fez com ele um contrato (cf. Gn 12,-15).

 

Mas o homem é teimoso mesmo. Hoje é fiel, amanhã já desmancha o contrato. Deus, porém, é fiel e carinhoso. E não cansa de “inventar” modos para conquistar o coração humano. Ele é um apaixonado por sua criatura preferida: o homem. E por isso, ao longo da História de Israel, lhe enviou juízes, reis, profetas, a fim de que voltasse à amizade.

 

Apesar de o homem se afastar continuamente de seu Criador, este sempre deseja salvá-lo. E o grande SINAL do Pai se realizou em Jesus Cristo. Deus não se contentou em enviar Profetas: quis ele mesmo vir ao encontro do homem, na pessoa de Jesus, a fim de ensiná-lo a amar, a viver, a saborear a amizade e o amor do Pai. Por isso é que dizemos: Jesus é O SACRAMENTO DO PAI. É o grande gesto-sinal de Deus: seu Filho vem ao mundo para resumir com sua vida o amor do Pai, e para levar os homens à perfeita união com Deus. Porém, Jesus veio e foi levado ao céu. Mas, antes de voltar para junto do Pai, encarregou os apóstolos de continuarem a sua missão (cf. Mt 28,18-20). A Igreja, portanto, continua fazendo o que Cristo fez.

 

Os sacramentos não só são sinais do amor de Deus, sinais da presença de Cristo na Igreja, mas eles são O PRÓPRIO DEUS, PRESENTE NESSES SINAIS. E essa presença é sentida, percebida e acolhida pelo ser humano.

 

O que são os Sacramentos?

 

Os Sacramentos são:

  1. Marcos na caminhada de fé: eles supõem um processo, um itinerário de fé em Jesus Cristo que ajuda a humanidade a segui-lo, com toda a coragem, vontade e ousadia.
  2. Comunicação com o mistério: os sacramentos são sinais visíveis da graça invisível. O amor de Deus ultrapassa tudo o que podemos dizer ou descrever.
  3.  Celebração do que já existe: a fé nos permite viver e assumir o sacramento.
  4. Alimento para o que ainda vai ser feito: Ex.: alimentados pela Eucaristia estamos mais fortes para amar como Jesus amou.
  5. Sinais de identidade: ao dizer “sou batizado” a pessoa declara que assumiu ser discípulo de Jesus, pertencente a uma comunidade.

 

Quais são os Sacramentos?

 

Deus instituiu os sinais sensíveis que chamamos de sacramentos, para expressar as realidades sobrenaturais da graça. Mas a onipotência divina faz mais do que nós podemos fazer. Deus concedeu a estes sinais sensíveis SIGNIFICAR e PRODUZIR a graça. Para entender melhor o efeito dos sacramentos podemos compará-los com a vida natural, vendo que na ordem da graça...

 

* nascemos para a vida sobrenatural pelo Batismo,

* nos fortalecemos pela Confirmação,

* mantemos a vida com o alimento da Eucaristia.

 

 

* se perdemos a vida da graça pelo pecado, a recuperamos pela Penitência,

* e com a Unção dos Enfermos nos preparamos para a viagem que acabará no céu.

 

 

 

Para socorrer as necessidades da Igreja como sociedade, temos o sacramento da:

* Ordem que institui os ministros da Igreja,

* Matrimônio, que com os filhos perpetua a sociedade humana e faz crescer a Igreja quando estes são regenerados pelo batismo.

 

 

 

 

Por que vivermos os Sacramentos? e quais são os seus efeitos?

 

Podemos nos perguntar por que Cristo quis fazer assim as coisas. Ele pode comunicar a graça diretamente, sem recorrer a nenhum meio sensível, ainda que tenha querido acomodar-se a nossa maneira de ser, dando-nos os dons divinos por meio de realidades materiais que usamos, para que fosse mais fácil para nós conseguirmos.

 

No batismo, por exemplo, assim como a água purifica naturalmente, o sacramento purifica: o sacramento lava e limpa sobrenaturalmente a alma, tirando o pecado original e qualquer outro pecado que possa existir, mediante a infusão da graça. Esta foi a pedagogia de Cristo durante sua vida pública, servindo-se de coisas naturais, de ações externas e de palavras. Tocou com sua mão o leproso e lhe disse: "Quero, fica limpo" (Mt 8,3); untou com barro os olhos do cego de nascimento e ele recuperou a vista (cf. Jo 9,6-7); para comunicar aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, soprou sobre eles e pronunciou umas palavras (cf. João 20,22). Assim, as coisas ou ações dos sacramentos são os instrumentos separados pelos quais Deus nos santifica, acomodando-se a nossa maneira de ser e de entender.

 

Os sacramentos, se forem recebidos com as disposições requeridas, produzem como fruto:

  • Graça santificante. Os sacramentos dão ou aumentam a graça santificante. O batismo e a penitência dão a graça; os outros cinco aumentam a graça santificante e só se devem recebê-los estando na graça de Deus. Aquele que os recebe em pecado mortal comete pecado de sacrilégio.
  • Graça sacramental. Além da graça santificante que concedem os sacramentos, cada um outorga algo especial que chamamos graça sacramental. É um direito de receber de Deus, no momento oportuno, a ajuda necessária para cumprir as obrigações contraídas ao receber aquele sacramento. Assim, o batismo dá a graça especial para viver como bons filhos de Deus; a confirmação concede a força e o valor para confessar e defender a fé até a morte, se for preciso; o matrimônio, para que os cônjuges sejam bons esposos e eduquem de forma cristã os filhos; etc..
  •  Caráter. O batismo, a confirmação e a ordem concedem, além disso, o caráter, que é um sinal espiritual e indelével que confere uma peculiar participação no sacerdócio de Cristo.

 

Sacramentos recebidos uma única vez e Sacramentos recebidos sempre que necessitar.

 

Há sacramentos que são recebidos uma única vez. São eles: o Batismo, a Confirmação e a Ordem. Esta condição é definida assim pela Igreja porque esses são os três Sacramentos que imprimem um caráter à alma de quem os recebe. Este caráter é uma marca, um selo espiritual. Esta marca significa que quem a recebe pertence a Cristo, ou seja, ela é um sinal de pertença, de participação no sacerdócio de Cristo.

 

Os demais podem ser recebidos mais vezes, desde que respeitadas as normas e exigências litúrgicas, são eles: Eucaristia, Reconciliação, Unção dos Enfermos e Matrimônio.

 

Por isso, os Sacramentos reúnem em si todas as graças que precisamos durante a vida para que a imagem de Cristo seja formada em nós e possamos nos santificar para um dia alcançarmos a glória eterna.

 

REFERÊNCIA

Catecismo da Igreja Católica (CIC)

Sacramentos da iniciação cristã – Féliz Moracho Garlindo

Os Sacramentos em sua vida – José Bortolini

www.catequisar.com.br

http://www.saojorgemartir.com.br/curso/catecismo25.php

http://bnsaniteroi.com.br/ejc/?q=content/os-sacramentos e outros

 

 

Perguntas:

  1. De que modo nós, como cristão, podemos viver os sacramentos?
  2. Por qual motivo Jesus instituiu os sacramentos?
  3. O que diferencia a graça Santificante da graça Sacramental?